Idiossincrasias
 

          Depois de tanto tempo sem postar uma única frase no blog, fica ainda mais difícil retomar a escrita. Como se eu estivesse esperando a oportunidade perfeita, o melhor tema, a maior inspiração. Mas esse era para ser apenas um local de desabafo, de troca de ideias. Um local para postar os textos e as reflexões que eu não gostaria que se perdessem em uma gaveta qualquer, um espaço em que eu pudesse exercitar a escrita. Criei para mim mesma um compromisso que me impede de escrever.

          Por isso hoje volto a postar aqui, sem compromisso algum, exatamente como sempre foi. Faz de conta  que o tempo não passou.



Escrito por Pri Guerra às 19h03
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Para gostar de ler, basta abrir um livro. O convite, democrático, já está feito. Mas aviso: da viagem, não se volta.



Escrito por Pri Guerra às 15h44
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Funciona como se o tempo não passasse. Tudo igual. Sempre igual. Dias que se repetem. Os mesmos personagens, as mesmas falas. Livro que já li. Decorei. Não gostei. Leio novamente por teimosia ou por burrice – dá no mesmo. Vivo a mesma vida pelo vício no conhecido, pelo medo do novo, covardia de quem muito fala e nada diz.

Escrevo novas linhas e preencho novas páginas com velhas palavras. Dona de um futuro que não chega, eterna promessa de um destino brilhante, assim como meu país.

            Falsas lágrimas mancham meu rosto com rímel de ontem. Tudo falso. Tudo velho. Futuro que já é passado e não serve mais.

            Um curto fio de cabelo branco tenta em vão me dizer a verdade. Arranco. Uso um creme anti-idade que me faz ter espinhas e finjo ser ainda adolescente. Sorrio para mim mesma de um pôster no canto do quarto. Três anos de idade e a tal promessa de futuro.

            Se soubesse, esperaria?

            Agora que sei, acredito?

            Com palavras, finjo enfrentar o torpor de meu corpo e minha mente. Não mudo nenhuma palavra. Que fiquem os erros de português. Como símbolo de anarquia pixado em um muro qualquer.

           

           

 

 

 

 

 



Escrito por Pri Guerra às 20h07
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Bata e legging

 

Cheguei ao consultório nitidamente nervosa, mas fingindo não estar nem aí. Filha de uma nutricionista, neta de um nutrólogo, ao menos algumas vezes por ano ao longo dos meus 28 anos dou as caras no consultório pra ver se está tudo bem.

 

Dessa vez, no entanto, era diferente. Minhas calças jeans simplesmente passaram a se negar a fechar e confesso que encontrei conforto nessa moda de bata e legging.

 

Suando frio, em pleno calor do verão de Porto Alegre, entrei na sala, tirei a roupa, respirei fundo e subi na balança. Essa parte até foi fácil. Já tinha experimentado balanças de farmácia e não houve nenhuma surpresa. O pior ainda estava por vir: um aparelhinho que mais parece um instrumento de tortura e com o qual o médico é capaz de descobrir exatamente quantos milímetros de gordura há na nossa cintura.

 

Enquanto minha cintura, barriga, braço e costas eram beliscados, descobria horrorizada que todos os números anotados em minha ficha eram ao menos o dobro dos anteriores. E não pensem que o médico me poupou, não: anotava as informações e utilizava interjeições do tipo ah! e oh!. Nem o conhecidíssimo bah! Foi poupado, sinal de que a coisa estava realmente feia.

 

Findos os apertões, vesti correndo minha roupa, ansiosa por esconder todas aquelas ingratas gordurinhas no meu look preto total. Ingratas, sim. Ora, se eu satisfaço a gula de minhas células adiposas com delícias inimagináveis, nada mais justo que elas se esconderem na hora da consulta (e na hora de colocar o biquíni, e de desfilar com aquele vestido curtíssimo, e de tirar toda a roupa a luz de velas...). No entanto, as ingratas insistem em aparecer nos momentos mais inconvenientes.

 

Devidamente vestida, sentei a espera do sermão. Ele não veio. Em seu lugar, a requisição de alguns exames. No alto da folha de exames, um campo “justificativa”. Não te assusta, disse o médico, ao mesmo tempo em que preenchia o tal campo com a palavra O B E S I D A D E. Foi exatamente assim que ele escreveu: com 8 letras maiúsculas, levemente separadas umas das outras, como que soletrando meu atestado de morbidez.

 

Em um primeiro momento, ri. Supus uma brincadeira. Calma lá, tudo bem que eu dei uma engordadinha, mas daí a estar obesa? Não precisa exagerar. Exageros fui eu que cometi – e a indecente palavra estava lá, em letras garrafais, para não deixar dúvida alguma sobre quem era o culpado.

 

No momento seguinte me senti absolutamente inadequada. Uma certa vergonha de colocar o nariz – e a barriga – para fora do prédio, com a nítida sensação de que todos me olhariam com ar de desaprovação. Antes de qualquer coisa, aquelas letras soaram para mim como o título de um crime.

 

Agora, o pior já passou. Me acostumo aos poucos a dieta que irá me acompanhar pelos próximos meses. Continuo andando pela rua. Se não tenho medo de ser presa na primeira esquina, também não posso dizer que me sinto confortável. Basta abrir uma revista feminina qualquer, ou ligar a televisão, ou entrar na internet para ter a certeza de que uns quilinhos a mais soam como uma aberração em um mundo que encara o ser magra como um dogma.

  

 



Escrito por Pri Guerra às 16h35
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Intolerância

 

Aconteceu na minha família. E foi essa semana. Um tio-avô, vítima de infarto, convalescia na UTI. Uma sobrinha sua acompanha os familiares no hospital. Lá, encontra um padre conhecido e ele gentilmente se oferece para conceder uma bênção a seu tio. Ela aceita. Pouco depois fica sabendo que o padre foi expulso da UTI por filha e netas do paciente. O motivo: nem elas, nem o paciente, professam a fé católica.

 

Religiosos são comuns em UTIs de hospitais e geralmente oferecem apoio e alento a pacientes e suas famílias.

 

Eis que no dia seguinte chega aos ouvidos da filha do paciente que um pastor havia abençoado seu pai. E lá foi ela tirar satisfações com ele. Chocado, o pastor questionou qual era a sua religião. Honestamente, não sei de quais religiões falamos – nem a do Pastor, nem a de minhas primas. Sei apenas que ambas são protestantes. O Pastor, então, disse a ela que tinha concedido uma benção a todos os pacientes da UTI e que tanto ele, quanto ela, eram cristãos, crendo nos mesmos princípios e no mesmo Deus. E que uma benção não faria mal a ninguém.

 

            A mesma intolerância religiosa que negou uma bênção e destratou religiosos em um hospital particular em Porto Alegre mata centenas de pessoas todos os dias ao redor do mundo.

 

            Uma ignorância que não deveria mais ser tolerada.



Escrito por Pri Guerra às 19h30
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O som do amor

 

 

Internet, avião, o homem na Lua e robôs criados por humanos em Marte, ar condicionado, o confortável sofá em que deitamos para assistir TV, a gramática que eu ignorei sobre a transitividade do verbo assistir, sorvete Häagen-Dasz, as crônicas de Veríssimo, novela das oito, Coca Cola, Disney World, música sertaneja, celular com câmera de 5 Megapixels, vizinho barulhento e tudo o mais de divertido e de bizarro e de moderno e de brega e de revolucionário só existe porque dormimos.

 

Até pode ser que seja nossa (dita) inteligência que nos diferencie dos outros animais. Mas se, ao contrário deles – e de nós – não precisássemos dormir, a vida inteligente não seria nem um pouco confortável.

 

Pensa bem: Alertas, podemos nos esconder de animais e de outros perigos que assombravam nossos parentes das cavernas. Mas e durante o sono? Absolutamente vulneráveis, nossos antepassados devem ter percebido que o melhor era viver em grupo, onde um poderia velar o sono do outro. E viver em cavernas, onde os perigos ficassem levemente afastados. Mas as cavernas eram meio apertadas, e bastante desconfortáveis, úmidas e frias. Além do que fechar a entrada com uma pedra gigante não era lá muito prático. Isso sem falar nos mosquitos!

 

Foi aí que nossos parentes distantes decidiram construir lugares mais confortáveis e seguros de se dormir. E alguns poucos milênios depois  dormimos em camas king size e confortáveis lençóis de algodão.

 

Ganhar um colo do namorado, passear de mãos dadas no parque, beijo de borboleta, cineminha e jantar a luz de velas, telefonemas que não acabam nunca, “eu te amo”, bolo de casamento e viagens de lua de mel e todos os demais passeios e prazeres românticos a dois só existem porque dormimos.

 

É o sono que nos convence da nossa fragilidade, da nossa dependência, das nossas vulnerabilidades. Roncamos, falamos, gememos, resmungamos. E percebemos que somos frágeis. Sonhamos. E percebemos que somos seres complexos e um tanto confusos e um bocado carentes.

 

E quando dividimos o sono dividimos a alma. Oferecemos ao outro nossa maior intimidade. Nos desnudamos. O sono é a nudez da alma. Sem ele, despiríamos apenas o corpo e nunca conheceríamos a verdadeira entrega.

 

Aceitamos que alguém conheça melhor que nós mesmos uma parte de nós. E dormimos tranqüilos, fazendo dessa tranqüilidade uma oferta.

 

O prazer do sono a dois é a grande prova e o grande reconhecimento da nossa condição de “gente”. Compartilhar a serenidade do sono é a melhor maneira de dizer “eu te amo” e o ronco é, enfim, o som do amor.

 

 

 



Escrito por Pri Guerra às 12h38
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O tempo passa tão depressa que, quando percebo, faz seis meses que não posto uma única mensagem no blog. Esse ano passou muito rápido e isso provavelmente significa que definitivamente deixei minha juventude pra trás. Não me sinto nem um pouco velha, quiçá madura, mas provavelmente esse é um sentimento que eu não experimentarei. Aos 15 tinha a sensação de que a vida acontecia aos 15. Aos 28, tenho certeza que é perto dos 30 que ela acontece.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano feliz, muito feliz. Sinto finalmente que posso ser feliz ao lado de alguém. Sinto que posso dividir. Sinto-me aberta para dar e receber. Não preciso mais esperar o príncipe encantado, não apenas porque já vi Shrek - e aquele Príncipe eu não quero - mas porque tenho um homem de verdade ao meu lado. Aprendi que a realidade pode ser melhor que o sonho e que felicidade não se ganha, se constrói. Tenho descoberto como é bom acordar todos os dias e acreditar que estou construindo algo de bom para a minha vida e que tenho com quem dividir. No amor, este foi um ano incrível.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano ruim, bem ruim. Aos 28 anos, ainda moro com meus pais. Ainda estudo para concursos em que eu não passo e ainda sonho em um dia escrever. Sei que ainda não me encontrei profissionalmente e às vezes me pergunto se isso realmente vai acontecer. Existem tantas coisas que eu gostaria de fazer. Há tanto ainda para aprender. Cada vez percebo com mais clareza que não sou advogada. Não entendo a burocracia, não tenho nenhuma disciplina para lidar com prazos e pouca paciência para atender clientes. Já não tenho mais o mesmo tesão em ler todos aqueles livros às vezes tão chatos. São tantas as possibilidades, o mundo é taõ grande, tão cheio de cultura, e eu presa a textos de leis mal escritas. Ao menos tenho a sensação de que estou no caminho certo. Mas em termos profisionais, 2007 foi um ano péssimo.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que foi um ano triste, bem triste. Minha avó, minha verdadeira guia e porto seguro nessa vida, teve um AVC. Agora se recupera e tenta recompor as memórias perdidas. Cada vez que eu olho pra ela, lembro que o amor existe. Ela é um ser de amor. Confusa em meio a tantas informações armazenadas ao longo de 76 anos, e agora um pouco desordenadas, ela passa o tempo tentando ajudar os que a rodeiam. E quando nos olha, seus olhos brilham e um sorriso lindo aparece em seus lábios. Triste, muito triste.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano normal, bem normal: um ano de sorrisos e de lágrimas, de encontros e de desencontros. Um ano em que algumas coisas andaram pra frente e outras ficaram exatamente no mesmo lugar. Um ano em que aprendi muitas coisas e que percebi, mais uma vez, que não sei quase nada. O ano em que descobri que todas as minhas certezas não valem absolutamente nada, que regras servem apenas para serem quebradas. Um ano em que me sinto feliz e triste, confusa e serena. Uma prova de que estou viva!



Escrito por Pri Guerra às 10h54
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Estampa xadrez

            Em tempos de relações instantâneas e pouco duráveis, em que se tira a roupa no primeiro beijo e se dá tchau antes do amanhecer, sem necessidade de se proferir qualquer palavra, e de relacionamentos virtuais, em que palavras substituem olhares; nesse contexto que possibilita uma diversidade nunca antes vista de formas de interação, cabe, mais do que nunca, perguntar: o que nos define?

            Em outros tempos – e talvez ainda hoje, em formas mais tradicionais de se travar contato – as pessoas iam se conhecendo aos poucos. Os relacionamentos eram forjados em processo lento, artesanal. As afinidades revelavam-se aos poucos, conforme se descortinavam as personalidades.

            Hoje o processo parece ser mais rápido, urgente. Como descobrir, entre tantos apelidos pouco significativos em um chat, o que há de comum entre duas pessoas? O que perguntar para saber se há alguma afinidade?

            Aí entram as tradicionais qualificações: cor de cabelo, olhos, altura, peso, profissão. Em que cidade mora, em que colégio estuda, que esporte pratica, que tipo de filme gosta. Até o perfil do Orkut é mais completo que isso!

            O que me chateia é o quanto isso nos prende a conceitos tão antigos quanto a própria vida em sociedade-e eu não estou dizendo que eu fujo à regra. O que me surpreende é que a internet, que poderia – e realmente em outros campos faz – encurtar distâncias e igualar pessoas, acaba reproduzindo os velhos modelos tradicionais de relacionamento.

            E em relações virtuais ou não continuamos nos relacionando apenas no superficial, e nos mostrando somente no que alcança aos olhos.

            Claro que nossas escolhas nos definem. Por isso eu sou a roupa que uso, a música que ouço, o filme que vejo, o trabalho que faço.

            Mas muito mais do que isso, sou o que me faz rir e o que me faz chorar. E apesar de algumas poucas pessoas saberem a resposta, isso nunca ninguém me perguntou.

            Muito mais do que corpos e contas bancárias, somos idéias, somos escolhas, somos sonhos. E isso é o que deveria nos aproximar uns dos outros. No lugar de “o que você faz?”, eu gostaria de perguntar “o que te emociona, o que te cativa?”.



Escrito por Pri Guerra às 19h49
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Persistência

O amor não marca hora para chegar.

Não pede licença, não bate na porta. Chega, assim, de repente, e logo se instala.

O amor não sabe a hora de ir embora. É desobediente, insistente.

Aqui, ele chegou para ficar.

Aviso a ele que acabou e ele me desafia a provar.



Escrito por Pri Guerra às 15h49
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Brechó em Tempos Modernos

Uma amiga, munida de uma invejável noção da realidade e uma baita criatividade, acabou de criar o Brechó em Tempos Modernos, um blog com o objetivo de propiciar a troca de roupas usadas!!! A idéia é a de que a preocupação com o meio ambiente e a necessidade iminente de economizarmos energia pode receber uma ajudinha da internet. Todos nós temos em casa aquelas roupas que não usamos mais - seja porque enjoamos, porque não nos servem mais, ou simplesmente porque mudamos nosso estilo. Assim, ela criou um espaço virtual onde é possível postar a foto da roupa que não queremos mais e escolhermos uma nova para trocarmos! Eu achei a idéia ótima!! Quem se interessar, dê uma passadinha por !!

 



Escrito por Pri Guerra às 16h59
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Amar

Amar é sentir o coração bater descompassado, as mãos tremerem e o suor brotar.

Amar é beijar suavemente, e depois nervosamente, pra depois se acalmar. Amar é desejar o corpo do outro, os sonhos do outro, o seu suor.

Amar é sonhar acordado, suspirar sozinho e perceber cada nuance das cores do mundo.

Amar é dividir com prazer. Dividir sonhos, dividir a cama, a escova de dentes, o melhor amigo, as tardes de domingo.

Amar é desaprender a viver sozinho, e ao mesmo tempo aprender a respeitar o espaço do outro. É aprender que liberdade tem limite – o limite da liberdade do outro.

Amar é descobrir o que é ciúme – e que se for desmedido, pode não ser amor.

Amar é dar espaço, é fazer concessões. É sonhar o sonho do outro e permitir que os nossos próprios sonhos sejam do outro também.

Amar é errar no tempero por excesso de zelo. Amar é aprender a voltar atrás.

Amar é sussurrar querendo gritar para não macular o ouvido de quem se ama.

Amar é chorar e rir bem alto, sem medo de se expor.

Amar é não ter vergonha dos próprios sentimentos, e ter vontade de sair por aí dizendo que ama a quem quiser ouvir,

Amar é descobrir, com tristeza, mas mágoa, nunca, que o amor às vezes pode não ser correspondido. E que romances têm início, meio e fim, mas o amor, não.

Amar é viver com a certeza de que a vida a dois é a melhor que existe e buscar, dia após dia, essa felicidade.

Amar é viver e permitir a liberdade. Entender que só existe amor quando ambos tiverem liberdade para ir, vir, ficar. Amar é aceitar que o outro se vá. E mesmo na dor, nunca deixar de amar. É aprender que nem sempre será para sempre e que isso pode ser bom.

Amar é desejar a felicidade do ser amado. E mesmo longe, continuar amando. Amar é aceitar a distância, acostumar-se à ausência, desejar o retorno.

Amar é permitir-se a esperança. É descobrir que o verdadeiro amor não concede espaço ao sofrimento e que não precisa impedir outros amores.

Amar... é nunca desistir de ser feliz.

 



Escrito por Pri Guerra às 10h51
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Caminho de casa

Desejo que as tuas dúvidas encontrem repostas em meu corpo.

Que tua mente serene em meu peito. Que teus olhos se fechem em minha boca.

Deixe-me velar os teus sonhos, entrelaçar nossos corpos, fundir nossas almas.

Vamos rir juntos, também chorar juntos, reescrever nossa história. Faz um filho comigo, perpetua-nos, reproduz minha esperança.

Permita que eu seja exagerada, que te ame demais, que te odeie demais. Que mude de idéia a cada dois segundos, mas que te deseje em cada um deles.

Feche os olhos, sinta meu cheiro, percorra meu corpo e permita que a Lua te traga de volta pra casa.

 



Escrito por Pri Guerra às 17h16
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Um dia perfeito

 

      Quero escrever sobre algo bem lugar-comum (afinal, existe algo de novo no amor?).

 

      Tem muitas coisas que ainda gostaria de fazer nessa vida. Saltar de pára-quedas, falar alemão, ver a vista do alto do Empire State, um safári na África, ver de pertinho a gigante de Quéops, comprar baguetes na França – e carregar na cestinha da bicicleta – ficar em pé em uma prancha (na areia não vale!), ver as horas no Big Ben, passar num concurso, trabalhar muito, adotar uma criança, ler centenas de livros, tomar muitos banhos de chuva – e alguns de sol – amamentar, escrever um livro, andar de elefante, ler no jornal que não há mais fome no mundo, ir mil vezes ao cinema, saber o final de Harry Potter, me apaixonar de novo (e de novo, e de novo), pular corda, parar de comer por ansiedade, conquistar um novo amigo, ligar para aquele amigo que eu não vejo a um tempão...

 

      Mas e se eu só tivesse um dia, o que eu escolheria fazer?

 

      Tem dias que eu vou à locadora e escolho um filme que eu já vi. Não me importo nem um pouco de já saber o final.     Curto cada minuto do filme que eu já vi uma, duas, três vezes. Se só tenho duas horas pra fazer uma coisa que gosto, prefiro não correr o risco de não gostar do filme. Então, mesmo se eu pudesse me tele-transportar para cada um dos locais que citei acima, não iria. Adotar uma criança não daria tempo. Tomar banho de chuva não dependeria de mim... Saltar de pára-quedas é uma opção...

 

      Lareira, um bom vinho, música tranqüila... Acho que um grande amor combina com a idéia do último dia de vida.

 

      Mas percebo que não era isso que eu queria dizer. Embora eu realmente goste da cena da lareira com alguém especial (e o vinho poderia ser substituído por um gostoso chocolate quente e a música por um filme bem água-com-açúcar), eu consigo também pensar em vários outros dias perfeitos. Um dia no sítio com meus afilhados, por exemplo. Ou um dia de “mulherzinha”  com minhas amigas. Ou um bom almoço de família. Deixaria feliz este mundo ao final de cada um destes dias.

 

      O que eu queria, na verdade, era convidá-los a refletir sobre o que é alguém especial. Se uma das hipóteses para “o que fazer se este for o último dia da sua vida” for passar este dia com alguém especial, quem seria este alguém?

 

      Escolhemos com quem dividir nossos dias com base em vários critérios, da atração física aos objetivos de vida. Algumas vezes essas escolhas são conscientes; outras, não. E com certeza muitas vezes teremos dúvidas se a pessoa que está ao nosso lado é “aquela” pessoa.

 

      Acho que se pudermos dizer que gostaríamos de viver nosso último dia de vida ao lado de alguém, sem fazer nada de mais, então essa pessoa realmente é especial.

 

 



Escrito por Pri Guerra às 15h55
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Não tenho conseguido escrever aqui. Já faz mais de um mês que não dou sinal de vida. Também faz tempo que não leio meus blogs favoritos... Estou triste por isso, mas tem sido realmente impossível.

Falta inspiração, falta tempo. Falta tempo para a inspiração. Falta tempo para o ócio criativo.

Mas não me queixo. Tenho estudado muito, viajado um pouco.

Imersa em livros, não consigo escrever. Mas são fases. Assim que a fase-silêncio passar, retorno.

 



Escrito por Pri Guerra às 15h25
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 INDIFERENÇA

 Há exatos 12 dias o menino João Hélio foi arrastado do lado de fora do carro de sua    família e morreu. Dizem que a Veja publicou os detalhes sórdidos da morte do menino. Esse tipo de narrativa não condiz com a idéia que eu faço da função da mídia, e por isso eu não li.

 Foi uma tragédia. Não posso mensurar o sofrimento dos pais, da irmã, de toda a família deste menino. Não desejo esse tipo de sofrimento a ninguém.

Faz apenas 12 dias que João morreu. A família ainda nem conseguiu se refazer do choque e uma nova lei penal já foi aprovada. A tal lei aumenta a pena para quem se utilizar de menores para o cometimento de crimes e o tempo mínimo de cumprimento da pena para progressão de regime no caso de crimes hediondos.

 

Os jornais têm noticiado que a imensa maioria dos juristas é contra a alteração legislativa em momentos de comoção social. Fernando Gabeira argumentou que estamos em constante comoção social e então nunca aprovaríamos lei alguma.

 

Lamento constatar que não é verdade.

 

De fato, deveríamos estar em permanente comoção pública, mas não estamos. Acredito, ao contrário, que vivemos na mais completa indiferença.

 

Indiferença à realidade feia e triste que existe a nossa volta. Realidade essa onde crianças das favelas do Rio – tão crianças quanto João? - têm tanto medo dos tiros dos traficantes quanto do caveirão. Realidade onde crianças e adolescentes crescem em famílias desestruturadas, em meio ao tiroteio constante entre traficantes e entre traficantes e polícia, vendo seus pais e irmãos serem mortos na porta de suas casas. Realidade onde a polícia quando sobe o morro sobe derrubando portas, onde o limite entre o público e o privado quase não existe, onde uma família de 10 pessoas pode morar em um único cômodo. Realidade onde mocinhos e bandidos são muito difíceis de se identificar.

 

Enquanto isso, outra parcela da população desfila em seus carros importados – alguns blindados por reles R$ 80 mil – e tenta se proteger como pode da “criminalidade”.

 

E a criminalidade continua sem cara, sem nome.

(continua)

 



Escrito por Pri Guerra às 13h59
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