Idiossincrasias
 

 

               

Estampa xadrez

            Em tempos de relações instantâneas e pouco duráveis, em que se tira a roupa no primeiro beijo e se dá tchau antes do amanhecer, sem necessidade de se proferir qualquer palavra, e de relacionamentos virtuais, em que palavras substituem olhares; nesse contexto que possibilita uma diversidade nunca antes vista de formas de interação, cabe, mais do que nunca, perguntar: o que nos define?

            Em outros tempos – e talvez ainda hoje, em formas mais tradicionais de se travar contato – as pessoas iam se conhecendo aos poucos. Os relacionamentos eram forjados em processo lento, artesanal. As afinidades revelavam-se aos poucos, conforme se descortinavam as personalidades.

            Hoje o processo parece ser mais rápido, urgente. Como descobrir, entre tantos apelidos pouco significativos em um chat, o que há de comum entre duas pessoas? O que perguntar para saber se há alguma afinidade?

            Aí entram as tradicionais qualificações: cor de cabelo, olhos, altura, peso, profissão. Em que cidade mora, em que colégio estuda, que esporte pratica, que tipo de filme gosta. Até o perfil do Orkut é mais completo que isso!

            O que me chateia é o quanto isso nos prende a conceitos tão antigos quanto a própria vida em sociedade-e eu não estou dizendo que eu fujo à regra. O que me surpreende é que a internet, que poderia – e realmente em outros campos faz – encurtar distâncias e igualar pessoas, acaba reproduzindo os velhos modelos tradicionais de relacionamento.

            E em relações virtuais ou não continuamos nos relacionando apenas no superficial, e nos mostrando somente no que alcança aos olhos.

            Claro que nossas escolhas nos definem. Por isso eu sou a roupa que uso, a música que ouço, o filme que vejo, o trabalho que faço.

            Mas muito mais do que isso, sou o que me faz rir e o que me faz chorar. E apesar de algumas poucas pessoas saberem a resposta, isso nunca ninguém me perguntou.

            Muito mais do que corpos e contas bancárias, somos idéias, somos escolhas, somos sonhos. E isso é o que deveria nos aproximar uns dos outros. No lugar de “o que você faz?”, eu gostaria de perguntar “o que te emociona, o que te cativa?”.



Escrito por Pri Guerra às 19h49
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