Idiossincrasias
 

O tempo passa tão depressa que, quando percebo, faz seis meses que não posto uma única mensagem no blog. Esse ano passou muito rápido e isso provavelmente significa que definitivamente deixei minha juventude pra trás. Não me sinto nem um pouco velha, quiçá madura, mas provavelmente esse é um sentimento que eu não experimentarei. Aos 15 tinha a sensação de que a vida acontecia aos 15. Aos 28, tenho certeza que é perto dos 30 que ela acontece.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano feliz, muito feliz. Sinto finalmente que posso ser feliz ao lado de alguém. Sinto que posso dividir. Sinto-me aberta para dar e receber. Não preciso mais esperar o príncipe encantado, não apenas porque já vi Shrek - e aquele Príncipe eu não quero - mas porque tenho um homem de verdade ao meu lado. Aprendi que a realidade pode ser melhor que o sonho e que felicidade não se ganha, se constrói. Tenho descoberto como é bom acordar todos os dias e acreditar que estou construindo algo de bom para a minha vida e que tenho com quem dividir. No amor, este foi um ano incrível.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano ruim, bem ruim. Aos 28 anos, ainda moro com meus pais. Ainda estudo para concursos em que eu não passo e ainda sonho em um dia escrever. Sei que ainda não me encontrei profissionalmente e às vezes me pergunto se isso realmente vai acontecer. Existem tantas coisas que eu gostaria de fazer. Há tanto ainda para aprender. Cada vez percebo com mais clareza que não sou advogada. Não entendo a burocracia, não tenho nenhuma disciplina para lidar com prazos e pouca paciência para atender clientes. Já não tenho mais o mesmo tesão em ler todos aqueles livros às vezes tão chatos. São tantas as possibilidades, o mundo é taõ grande, tão cheio de cultura, e eu presa a textos de leis mal escritas. Ao menos tenho a sensação de que estou no caminho certo. Mas em termos profisionais, 2007 foi um ano péssimo.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que foi um ano triste, bem triste. Minha avó, minha verdadeira guia e porto seguro nessa vida, teve um AVC. Agora se recupera e tenta recompor as memórias perdidas. Cada vez que eu olho pra ela, lembro que o amor existe. Ela é um ser de amor. Confusa em meio a tantas informações armazenadas ao longo de 76 anos, e agora um pouco desordenadas, ela passa o tempo tentando ajudar os que a rodeiam. E quando nos olha, seus olhos brilham e um sorriso lindo aparece em seus lábios. Triste, muito triste.

Chegada a hora de passar o ano a limpo, posso seguramente dizer que este foi um ano normal, bem normal: um ano de sorrisos e de lágrimas, de encontros e de desencontros. Um ano em que algumas coisas andaram pra frente e outras ficaram exatamente no mesmo lugar. Um ano em que aprendi muitas coisas e que percebi, mais uma vez, que não sei quase nada. O ano em que descobri que todas as minhas certezas não valem absolutamente nada, que regras servem apenas para serem quebradas. Um ano em que me sinto feliz e triste, confusa e serena. Uma prova de que estou viva!



Escrito por Pri Guerra às 10h54
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