Idiossincrasias
 

Funciona como se o tempo não passasse. Tudo igual. Sempre igual. Dias que se repetem. Os mesmos personagens, as mesmas falas. Livro que já li. Decorei. Não gostei. Leio novamente por teimosia ou por burrice – dá no mesmo. Vivo a mesma vida pelo vício no conhecido, pelo medo do novo, covardia de quem muito fala e nada diz.

Escrevo novas linhas e preencho novas páginas com velhas palavras. Dona de um futuro que não chega, eterna promessa de um destino brilhante, assim como meu país.

            Falsas lágrimas mancham meu rosto com rímel de ontem. Tudo falso. Tudo velho. Futuro que já é passado e não serve mais.

            Um curto fio de cabelo branco tenta em vão me dizer a verdade. Arranco. Uso um creme anti-idade que me faz ter espinhas e finjo ser ainda adolescente. Sorrio para mim mesma de um pôster no canto do quarto. Três anos de idade e a tal promessa de futuro.

            Se soubesse, esperaria?

            Agora que sei, acredito?

            Com palavras, finjo enfrentar o torpor de meu corpo e minha mente. Não mudo nenhuma palavra. Que fiquem os erros de português. Como símbolo de anarquia pixado em um muro qualquer.

           

           

 

 

 

 

 



Escrito por Pri Guerra às 20h07
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